História

O desbravamento da região onde se localiza Itaboraí remonta à época da fundação da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, quando, em seus arredores, foram doadas sesmarias para a instalação de lavouras de cana-de-açúcar.

Seu surgimento está relacionado à história da extinta Vila de Santo Antônio de Sá ou Vila de Santo Antônio de “Macacu”, como também era conhecida, que tem sua origem em 1567. Em sua época mais próspera, a Vila possuía 20 portos ao longo de seus rios, por onde circulavam barcos, canoas e saveiros que carregavam a produção de toneladas de açúcar, aguardente e farinha.

A fundação de Itaboraí ocorreu em 1672, quando João Vaz Pereira inaugurou uma capela dedicada a São João Batista, substituída em 1742 pela Igreja de São João. Em torno dela surgiu a freguesia de São João de Itaboraí, que por sua vez transformaria-se, séculos mais tarde, na cidade de Itaboraí.

Entre 1700 e 1800, a freguesia de São João de Itaboraí estabeleceu-se como um importante centro agrícola. Em 1780, grande parte do açúcar produzido pelos 80 engenhos das freguesias próximas era embarcada em caixas de madeira nos 14 barcos pertencentes ao porto local (daí o nome “Porto das Caixas”).

Quando D. João VI chegou ao Brasil, em 1808, a freguesia de Itaboraí crescia em virtude dos progressos materiais e culturais de seus habitantes, chegando a competir com Niterói pelo direito de ser a capital da Província do Rio de Janeiro, perdendo, honrosamente, por um voto.

Em 1829, a Vila de Santo Antônio de Sá, da qual fazia parte a freguesia de Itaboraí, foi atingida por uma epidemia de febre amarela (denominada febre do Macacu), que causou muitas mortes e grande prejuízo à região.

Em janeiro de 1833, um decreto imperial elevou a freguesia de São João de Itaboraí à categoria de vila.

No segundo reinado, Itaboraí se tornou uma das mais desenvolvidas regiões fluminenses com a presença de personalidades ilustres na vida política, como: Paulino José Soares (o pai e o filho), sendo o pai, 1º Visconde de Uruguai e o filho, 2º Visconde de Uruguai; José Rodrigues Torres, Visconde de Itaboraí e Salvador de Mendonça, diplomata. Na vida cultural do Brasil Império, destacam-se: João Caetano, Alberto Torres e Joaquim Manuel de Macedo.

São desta época a construção de grandes marcos da cidade, como a Casa de Cultura, a Câmara Municipal e o Teatro João Caetano.

A partir de 1860, os transportes fluviais foram gradualmente substituídos pelos ferroviários. Em 23 de abril de 1860, com a inauguração do primeiro trecho da Estrada de Ferro de Cantagalo, que ia de Porto das Caixas à Cachoeiras de Macacu; Porto das Caixas, em Itaboraí consolidou sua importância econômica, pois recebia toda a produção de gêneros do Norte Fluminense pela ferrovia e as enviava em embarcações pelo Rio Aldeia até o Rio Macacu (e deste para o Porto do Rio de Janeiro, para ser comercializada).

Em 1874, foi inaugurada a Estrada de Ferro-Carril Niteroiense, partindo de Maruí, em Niterói, até o Porto das Caixas. A construção da ferrovia foi uma das principais causas do declínio da Vila de São João de Itaboraí – agravado pela libertação dos escravos, o que levou muitos fazendeiros à falência. Itaboraí tornou-se uma cidade em 1890, por meio de um decreto estadual.

Hoje, é um município em desenvolvimento, que concentra suas atividades econômicas no setor de comércio. Muitas famílias ainda vivem da agricultura de subsistência e da pequena criação de bois, aves e outros animais, enquanto outras conseguiram trabalho no comércio local ou nas regiões circunvizinhas.